Autor(es):
Cardoso, Elisabete P. C.
; Pimenta, Pedro C. C.
Data: 2004
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/1822/2307
Origem: RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
O movimento europeu, decorrente do Processo de Bolonha, lança um grande desafio às Instituições de Ensino
no sentido da reforma dos seus planos de estudo e da alteração dos métodos de ensino/aprendizagem, que se
devem centrar principalmente no aluno.
O processo despoletado por esta Declaração deverá constituir uma oportunidade para repensar a formação dos
nossos alunos, no sentido de transformar a educação universitária num processo que desenvolva a autonomia,
a criatividade, o trabalho pessoal, crítico e responsável, e a disponibilidade para a auto-formação ao longo da
vida.
Estas são qualidades necessárias aos graduados em qualquer licenciatura.
Actualmente, a maioria dos alunos chega à universidade sem hábitos de estudo e de trabalho. Adoptam uma
atitude passiva de "absorção do conhecimento". O formato tradicional de aula magistral favorece esta atitude.
No entanto, é do conhecimento geral que, aprender, qualquer que seja a matéria, é um processo difícil, que
exige empenho, dedicação e disciplina, e o aluno é o agente desse processo.
Temos, portanto, de adoptar estratégias de ensino/aprendizagem que promovam uma atitude activa e
participativa por parte do aluno. Tal atitude, por si só, é um factor de motivação e o aluno deixa de "trabalhar
para a nota" e passa a "trabalhar para aprender".
No caso particular da engenharia, como ensinar Engenharia é uma preocupação actual de muitas instituições
de ensino de Engenharia em todo o mundo. Considerando que a missão de um engenheiro é resolver
problemas propondo soluções e trabalhando em equipa, algumas Universidades levaram a cabo alguns
experiências de ensino utilizando um método designado por Método de Ensino/Aprendizagem Cooperativo e
por Projecto.
Neste método, o processo de aprendizagem resulta da actividade que os estudantes desenvolvem na resolução
de um dado problema, utilizando informação de base que lhes é transmitida num número de horas aula
relativamente reduzidos. São invocados como pontos em favor deste método de aprendizagem: menos horas
de contacto com o docente, mais horas de trabalho autónomo, desafio à capaciadade de resolução de
problemas, integração antecipada nas necessidades da vida real, estímulo à iniciativa individual e ao trabalho
em grupo.
Um pouco por toda a Europa estão a ser levadas a cabo experiências neste âmbito, com graus diversos de
profundidade de aplicação, desde o sistema ideal usado na Universitet Aalborg, Dinamarca, a modelos
adaptados deste, e aplicados, em casos-piloto, a uma ou mais disciplinas.
De referir que o conceito não é exclusivo da Engenharia, e um exemplo excelente da sua aplicação está a ser
feito na Universidade do Minho, no seu novo curso de Medicina.
As vantagens evidenciadas para a Metodologia de Ensino/Aprendizagem Cooperativo e por Projecto
permitem referenciá-la como uma metodologia que fomenta, nos alunos, as competências reconhecidas como
essenciais pela Declaração de Bolonha.
O trabalho aqui apresentado detalha uma experiência concretizada no ano lectivo passado (2002/2003) de
transformação e redireccionamento de estratégias de ensino/aprendizagem numa disciplina de programação,
menciona as dificuldades surgidas e explicita as tácticas adoptadas para a sua resolução, numa demonstração
da mais valia pedagógica conseguida.
Descreve-se como, a partir de uma estratégia de ensino totalmente centrada em conteúdos, se passou para
uma estratégia de ensino/aprendizagem totalmente centrada no aluno, que modificações na organização da
disciplina foram necessárias, que novas funções foram atribuídas às tecnologias de informação, que mudanças
ocorreram no papel do docente, que mudanças se observaram na atitude dos alunos, que resultados se
obtiveram relativamente às expectativas.
Pretende-se, com este trabalho, dar um pequeno contributo para a discussão em torno das "boas estratégias"
pedagógicas a serem utilizadas no ensino superior, e do papel que as tecnologias de informação poderão ter
nessa mudança.