Autor(es):
Lopes, Felisbela
; Loureiro, Luís Miguel Nunes da Silva
; Neto, Ivo Emanuel Campos Machado
; Ribeiro, Fábio Fonseca
Data: 2012
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/1822/29591
Origem: RepositóriUM - Universidade do Minho
Assunto(s): Informação televisiva; Espaço público; Telespectadores; Empowered users; Participação; Cidadania digital; Television news; Public sphere; TV viewers; Participation; Digital citizenship
Descrição
O presente artigo parte de um questionamento do que designamos a promessa de participação. Se há, de facto, um discurso recorrente sobre as novas tecnologias da comunicação e da
informação, dele faz certamente parte um refrão discursivo, intensamente repetitivo, que não cessa de prometer uma acessibilidade generalizada à informação em circulação global,
que comporta em si, e convoca, a possibilidade de uma nova cidadania de largo espectro social e político, promotora da realização do que autores como Pierre Lévy vêm
designando como a ciberdemocracia. Trata-se de uma promessa que, notaremos, se renova a cada nova vaga tecnologicamente induzida, tendo tomado de assalto a produção discursiva de esferas públicas tão diversas (e, ao mesmo tempo, tão intercomunicantes) como a política, a social, a económica ou a académica. Tem-nos surgido, assim, renovada nos discursos sobre a convergência dos media que inclui, concomitantemente, a formulação do que designaríamos o ecrã convergente, para o qual tenderão os ecrãs que quotidianamente utilizamos e com os quais, de algum modo, interagimos. Entre os quais se conta, obviamente, o ecrã televisivo. A partir de um estudo teórico do ecrã televisivo e de um corpus empírico constituído a partir dos programas de canais de informação da televisão portuguesa, pretendemos indagar a verificação, ou não, dessa convergência como participação. Aquilo para que os nossos dados apontam é, contudo, uma lógica de resistência da centralidade do ecrã televisivo, que retém institucionalmente, e atrai para si, as lógicas e recursos socio-semióticos de controlo da produção da mensagem, mantendo-se fiel a um modelo de broadcasting, de sequência e fluxo centrados, tal como formulado nos anos 1970 nos trabalhos de Raymond Williams. Ainda distante da concretização da promessa da participação, este ecrã está longe de poder integrar as desejosas formulações da convergência, revelando-se, antes, como ecrã centrípeto. This article questions what we can call the promise of participation. Its assumptions are based
on the current dominant discourses on the new technologies of information and
communication. We will note that such discourses keep elaborating on a constantly selfrepeating
refrain that never ceases to promise wide access and open possibilities of direct
individual intervention in the global informational contents and debates, feeding the
prospects of new digital forms of political and social citizenship able to promote what
philosopher Pierre Lévy calls cyberdemocracy.
This promise is renewed by each new wave of technological buzz. It simultaneously
takes by storm the discoursive mainstream of public spheres such as the political, the
social, the economic context or the academic, emerging through conceptual frames such as
media convergence. These public debates often include the conceptualization of what we can
sum up as the convergent screen, to which should converge the technological screens that we
use on our daily lives, and with which we interact. Among them, of course, there is the
television screen.
We base this article on a thorough study of the television screen that is both
theoretical and empirical: it focuses on an analysis of the screen as an apparatus and works
on data from Portuguese news channels’ broadcasts to verify or deny the fulfillment of the
promise through audience participation manifestations. Our conclusions will nonetheless point
out a reiterated confirmation of the institutional strength of the television apparatus.
Despite the constant technological developments that, along with the digitalization
processes, suggest a whole new set of interactive possibilities, the television screen shows
clear signs of control resistance by keeping its longtime built social and institutional
centrality. It tends to concentrate and attract the main socio-semiological resources of
production control and retains the Raymond Williams’ old defined broadcasting features of
centralized sequence and flow. This television screen emerges then not as the convergent one
that would fulfill the promise of participation, but as one we will call the centripetous screen.