Author(s):
Rodrigues, Rui
Date: 1989
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10362/6296
Origin: Repositório Institucional da UNL
Description
pp. 205-209 A frase em epígrafe do grande antropólogo britânico
coloca, de maneira clara e admirável, o dedo na ferida — ainda
longe de sarar— do conhecimento em antropologia. A intuição
e a perspicácia que todos reconhecem nas suas obras
estão, com toda a certeza, directamente ligadas à concepção
que Evans-Pritchard tinha da antropologia e do tipo de conhecimentos
que melhor se enquadra no espírito desta disciplina.
É, ainda, na comunhão do mesmo espírito que, cerca
duma década depois, Lévi-Strauss recolherá nas grandes partituras
musicais o modelo que servirá de plano às Mythologiques.
A antropologia contemporânea possui, decerto, um conjunto
de métodos de trabalho, de saber acumulado e mesmo
de valores — embora estes variem de amplitude consoante o
gosto das escolas — que fornecem à nossa disciplina o terreno
comum a discutir e a desbravar, ou seja, as condições mínimas para que não haja diálogo de surdos entre aqueles que a praticam.