Autor(es):
Alves, Joana Ferreira Cardoso
Data: 2009
Identificador Persistente: http://hdl.handle.net/1822/9888
Origem: RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Dissertação mestrado em Psicologia (área de especialização em Psicologia da Saúde) Esta tese de dissertação intitula-se “Experiências Adversas na Infância e
Comportamentos de Risco para a Saúde em Mulheres Reclusas”.
A adversidade durante a infância tem sido um dos temas alvo de numerosos estudos no
âmbito da Psicologia, devido à sua prevalência e ao forte impacto no desenvolvimento
do indivíduo.
Os resultados mais prevalentes vão de encontro ao facto das experiências adversas
durante a infância aumentarem o risco de perturbações físicas e psicológicas na idade
adulta.
Neste sentido, a presente dissertação, tem como objectivo caracterizar as experiências
adversas durante a infância e relacionar a adversidade com comportamentos de risco
para a saúde e com sintomas de psicopatologia, em 42 mulheres reclusas num
estabelecimento prisional do norte do país.
Os instrumentos de medida utilizados foram: o Questionário Sócio-demográfico e
História de Vida e Brief Symptons Inventory.
Na amostra em estudo, a maioria das mulheres relata um quadro complexo de diversas
experiências adversas durante a sua infância. Num total possível de dez categorias de
adversidade, verificamos uma média de adversidade total de 5.05 (DP=2.63), assim
como uma elevada prevalência de comportamentos de risco para a saúde e de
sintomatologia psicopatológica. Os resultados indicam uma forte relação entre
adversidade e sintomas psicopatológicos, porém, a relação entre adversidade e o índice
de comportamentos de risco para a saúde não é tão saliente.
Estes resultados permitem-nos concluir que as mulheres detidas viveram um elevado
número de experiências adversas durante a infância e que na idade adulta apresentam
muitos sintomas de psicopatologia e, paralelamente, um elevado número de
comportamentos de risco que podem comprometer o seu estado se saúde e perpetuar o
ciclo de violência.
Assim, salientamos a importância de considerar as experiências adversas nos planos de
intervenção junto desta população, no sentido de minimizar os seus efeitos. E, numa
perspectiva mais generalista, torna-se fundamental incrementar planos de prevenção ao
nível das experiências adversas na infância. This dissertation addresses the topic "Adverse Childhood Experiences and Health Risk
Behaviours in Women Prisoners."
Adversity during childhood has been the object of innumerous Psychology studies,
justified by its prevalence and decisive impact in the development of human being.
The most relevant results confirm that adverse childhood experiences increase the
incidence of physical and psychological disturbances in adult age.
The present dissertation intends to characterizes adverse childhood experiences and
relate them to health risk behaviour and with psychopathological symptoms, as found
within a sample group of 42 female inmates of a correctional facility located in the
north of Portugal.
In this study it was applied as measure instruments the following questionnaires: the
Social-demographic and Life History Questionnaire, and Brief Symptom Inventory.
Within the sample under analyses, the majority of the women describe a complex frame
of several adverse experiences during their young age. From a total of ten possible types
of adversity we have confirmed an average of total adversity of 5.05 (SD=2.63), as well
as a high frequency of health risk behaviour and psychopathological symptoms.
The results show a high correlation between adversity and psychopathological
symptoms. That correlation, however, is not as strong between adversity and the
indicator of health hazardous behaviour.
These same results allow us to conclude that the detainees faced a high frequency of
adverse experiences during childhood and that in their adult age show several symptoms
of psychopathology. Concurrently, they engage in a high number of cases of risk
behaviour that might result not only in severe degradation of their health conditions, but
also contribute to the perpetuation of the violence cycles they are involved in.
Being so, we point out the importance of taking in consideration the adverse childhood
experiences in the layout of the plans of intervention towards this population in order to
minimize its consequences.
In a more general approach, it is of decisive relevance to build preventive plans to avoid
adverse childhood experiences.