Author(s):
Simião, Daniel Schroeter
Date: 2007
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10437/1931
Origin: ReCiL - Repositório Científico Lusófona
Subject(s): SOCIOLOGIA; ESTUDOS DO GÉNERO; MULHERES; TIMOR
Description
Em maio de 2003 uma grande consulta em âmbito nacional discutia, em Timor-Leste, os termos de um projeto de lei que buscava criar um novo marco legal par o combate à violência doméstica. Desde que as Nações Unidas haviam assumido a administração do território, em
Setembro de 1999, várias consultas deste tipo vinham sendo elaboradas. A idéia de que as
comunidades precisavam ser consultadas baseava muitos dos projetos de cooperação em curso no país. Um destes, inclusive, um grande projeto do Banco Mundial, intitulado “Community
Empowerment Project” (CEP), chegava mesmo a ter como objetivo o fortalecimento das
comunidades como instâncias de decisão. Os assim chamados “workshops” com beneficiários
de projetos eram uma constante. Neste contexto, não era de surpreender o fato de que,
quando o governo timorense apresentou a minuta de um projeto de lei para o combate à
violência doméstica – apresentação feita a organizações da sociedade civil timorense em
um “workshop”, em novembro de 2002 – de imediato tenha surgido a demanda para que se consultassem as comunidades, solicitação que resultou na ampla consulta realizada entre Maio e Junho de 2003.
Desde o início, a proposta de uma consulta acerca do documento de orientação para
a futura lei colocava um dilema. Discutir a minuta, elaborada por um comitê de técnicos
e especialistas, podia ter diferentes propósitos. Buscava-se verificar em que medida as
comunidades concordavam com os valores expressos pelo anteprojeto ou tratava-se apenas
de recolher sugestões de como melhor executar os princípios já definidos pelo texto? No caso timorense, este não era um dilema simples, uma vez que os valores expressos na minuta
eram muito diferentes daqueles evocados no cotidiano das aldeias timorenses.