Author(s):
Leite, Marta Sofia Carvalho Ferreira Malheiro
Date: 2011
Persistent ID: http://hdl.handle.net/10316/17606
Origin: Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Description
A colheita de cogumelos silvestres é uma prática ainda muito presente nos dias
de hoje, por todo o mundo. Apesar do consumo da maioria dos cogumelos silvestres
existentes ser inofensiva para o ser humano, existem algumas espécies que possuem
na sua constituição substâncias tóxicas, cuja penetração no organismo, via tracto
digestivo, causa o desenvolvimento de efeitos nocivos em diferentes tecidos.
O envenenamento por cogumelos Amanita é uma rara mas séria causa de
intoxicação humana fatal. As amatoxinas, um grupo de octapeptídeos biciclícos
produzidas pela espécie Amanita phalloides, são responsáveis pela elevada
toxicidade destes fungos, sendo a α-amanitina e a β-amanitina as toxinas letais
maioritárias. Estas causam necrose celular, especialmente no fígado e nos rins,
conduzindo à morte por falência hepática e insuficiência renal aguda.
O presente trabalho teve como objectivo o desenvolvimento, optimização e
aplicação de uma metodologia analítica por cromatografia líquida acoplada a
espectrometria de massa sequencial (LC-MS/MS), após um pré-tratamento para
precipitação de proteínas por solvente orgânico e procedimento de extracção em fase
sólida (SPE), para a determinação das amatoxinas α- e β-amanitina, em amostras de
urina humana. Os parâmetros de validação definidos para este método englobaram
linearidade, limites de detecção (LD) e de quantificação (LQ), selectividade,
sensibilidade, repetibilidade e recuperação da extracção, de forma a garantir
fiabilidade nos resultados analíticos obtidos.
O método desenvolvido provou ser específico e selectivo, com valores de LD e
LQ para a α-amanitina de 1.93 e 3.29 ng/mL e para a β-amanitina de 1.74 e 3.16
ng/mL, respectivamente. A lineariedade estudada em amostras fortificadas foi
satisfatória (0.97 para a α-amanitina e 0.98 para a β-amanitina) num intervalo de 5 a
20 ng/mL. A repetibilidade foi verificada ao nível de 10 ng/mL (n=3) de α-
amanitina e β-amanitina em amostras de urina fortificadas, com coeficientes de
variação obtidos de 3.68 e 2.33%, respectivamente. A recuperação do método
extractivo desenvolvido apresentou bons resultados para as baixas concentrações
RESUMO
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analisadas, com percentagens entre os 64 e 70% para a α-amanitina, e entre os 64 e
68% para a β-amanitina.
A metodologia descrita foi, posteriormente, aplicada a uma amostra real de
urina de cadáver, disponibilizada pelo Serviço de Toxicologia Forense da Delegação
do Centro do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML, I.P.). A análise da
amostra forense em questão visou demonstrar a capacidade da metodologia
desenvolvida para aplicação e implementação em casos reais de intoxicação por
amatoxinas.
A metodologia analítica desenvolvida tanto a nível de extracção, como de
sistema cromatográfico, é inovadora, apresentando um elevado potencial na
identificação e detecção de α- e β-amanitinas em amostras de urina. O método
descrito poderá ser aplicável à determinação de α- e β-amanitinas a outras amostras
biológicas, como fígado e rins.
Palavras-chave: α-Amanitina; β-Amanitina; Intoxicação; SPE; LC-MS/MS
Document Type
Master Thesis
Language
Portuguese
Advisor(s)
Ramos, Fernando Jorge; Pais, Alberto António Caria Canelas; Teixeira, Helena Maria Sousa F.